gênero

Esta é a categoria para artigos cujo assunto tenham relação com questões de gênero.

Eu não sou minha cirurgia!

Por Boi Polloi

Traduzido por Aline Freitas

Esta é uma história sobre terminologia.

Transexual, transgênero, transgenderista, crossdresser... Às vezes eu acho que nós fazemos um belo serviço nos dividindo em sucessivamente pequenas e pequenas caixas. A única coisa que conseguimos fazer, colocando as pessoas em pequenas caixas é construir muros entre nós.

Porque precisamos destes muros? Porque sentimos esta necessidade perpétua de rotular nossa não-existência? Esta caixa é "correta" e aquela caixa é "errada". Qualquer caixa que não seja a minha caixa é automaticamente inválida. De dentro do meu armário, seu armário não existe.

Alguém além de mim consegue enchergar a total futilidade deste tipo de mentalidade?

Minha identidade de gênero não corresponde ao meu gênero biológico. Minha expressão de gênero não corresponde com meu gênero biológico. Isto me torna menos trans que, digamos, o FTM com masectomia que decide não fazer uma CRS completa porque os resultados são insatisfatórios? Isto me faz menos trans que a MTF pós-operada, com feminização facial e prótese mamária?

Eu não acho.

Eu recuso a permitir que a sociedade dite em qual caixa eu deva marcar meu lugar. Eu certamente não vou permitir que as comunidades trans ou LGB ditem isto a mim. Eu não sou minha cirurgia, e minha cirurgia (ou a falta de) não me faz a pessoa que eu sou. Meus genitais não fazem ou quebram minha identidade.

Se você não quer que eu julgue você, baseado no quanto sua calça Levi's ocupa de espaço, não me julgue baseado no que é ou não é meu. A sociedade diz que minha certidão de nascimento, minha carteira de motorista, meus documentos legais devem conter M ou F. Que tipo de pessoa seríamos se seguíssemos a vontade do governo como ratos?

Felizmente eu vou resistir à conformidade e expressar a Anarquia de Gênero. Queimar os armários, derrubar os muros, e deixar as caixas para a U-Haul[1], porque a isolação que estão pondo em si mesmos é auto-imposta. Quebre as algemas da conformidade de gênero e seja você mesmx uma mudança, independente da opinião das pessoas, olhares ou gestos. Mostre a eles alguns de seus próprios gestos coloridos.

[1] Fabricante de caminhões baú

http://boipolloi.blogspot.com/2009/07/i-am-not-my-surgery.html

Imagem: Blind - por Boi Polloi
http://spookeriffic.deviantart.com/art/Blind-80173508

 

Tocando em todas as bases

Kate Bornstein, Gender Outlow: On Men, on women and the rest of us
Tradução: Aline de Freitas

A maioria das pessoas definem um homem pela presença de um pênis ou alguma forma de pênis. Algumas definem uma mulher pela presença de uma vagina. Não é tão simples, apesar. Eu conheço várias mulheres em São Francisco que possuem pênis. Muitos homens maravilhosos na minha vida tinham vaginas. E há um bom número de pessoas cujos genitais são algo entre pênis e vaginas. O que elas são?

Quem não segue as normas de gênero continuará a ser "doente mental"?

Pessoas trans e todxs que não seguem as "normas" de gênero continuarão a ser consideradas doentes mentais no DSM-V

Em 1973, a homossexualidade foi removida como uma desordem do Manual Diagnóstico e Estatístico de Doenças Mentais, segunda edição (DSM-II) pela Associação Psiquiátrica Americana. Este foi o passo que reconheceu que indivíduos cujos interesses sexuais são direcionados primariamente para pessoas do mesmo sexo não são afetados com uma desordem psiquiátrica.

Borghese Hermaphroditus

A realidade é um "continuum"

Os numerosos estudos de diferenças entre os sexos e o igualmente cômico gênero de produções teatrais "Marte/Vênus" são misteriosos e desafiadores. Certamente eles demonstram o incômodo ressurgimento do desenfreado obscurantismo e persistente relativismo que continua a confundir a ciência com crenças ainda bastante difundidas baseadas em religião, mitos e outras tradições. De fato, falar sobre gênero e estudar as diferenças entre homens e mulheres, é base da mais fundamental forma de sexismo da mesma maneira que os estudos das diferenças raciais refletem seu subjacente racismo fundamentado, dado que estes estudos negam que a natureza fundamentalmente é expressa em um "continuum", especialmente gênero, sexo e pigmentação. Sem dúvidas, isso se deve à natureza sexista da ciência exata que continua em grande medida mesmo hoje.

Conteúdo sindicalizado